Resenha: Battle Royale, Koushun Takami
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Hoje
a resenha será de Battle Royale, um dos melhores livros que eu li em 2015. Essa
foi minha primeira experiência com um livro de autor japonês — e se todos os
escritores orientais escreverem como Koushun Takami escreve, vou precisar ler
tudo que esses japoneses já escreveram, de tão fascinante que é a escrita.
“Em um país totalitário, o governo cria
um programa anual em que uma turma de ensino fundamental é escolhida para
participar de um jogo. Os estudantes são levados para uma área isolada, onde
recebem um kit de sobrevivência com uma arma para se proteger e matar os
concorrentes. Uma coleira rastreadora é presa no pescoço de cada um deles. O
jogo só termina quando apenas um estudante restar vivo. Ao final do Programa, o
vencedor é anunciado nos telejornais para todo o país. As regras do jogo foram
criadas de maneira que não haja uma forma de escapar. E a justificativa da
matança é mostrar para a população como o ser humano pode ser cruel e como não
podemos confiar em ninguém — nem mesmo no nosso melhor amigo da escola.” –
Sinopse oficial.
Uma
sala do nono ano de uma escola do Japão é convocada a fazer uma excursão, porém
algo dá errado. Todos caem num sono profundo dentro do ônibus e, quando acordam,
estão numa sala de aula que ninguém conhece, vestido com uniformes que ninguém
nunca viu e com uma coleira metálica que ninguém consegue tirar. Na frente da
sala um representante do governo explica o que está acontecendo: eles estão
participando do mortal Programa do governo, o Battle Royale. As regras são
explicadas — cada um recebe uma mochila que contém uma arma aleatória (desde
uma metralhadora a um talher), alguns suprimentos, a utilidade da coleira: um
rastreador e um explosivo, caso quebrem alguma regra do Programa, e uma ordem:
matem todos os seus colegas.
A
ilha em que os 42 estudantes estão foi dividida em quadrantes e a cada momento,
uma voz diz quais são os quadrantes proibidos e quem estiver lá enquanto eles
estiver proibido, sua coleira explode e ele está fora do Programa.
A
primeira coisa que todos pensam ao ver a sinopse e ao ler o livro é “já vi uma
história como essa antes?!”, pois bem, a história se assemelha muito a Jogos
Vorazes, porém um Jogos Vorazes mais brutal, cruel e sanguinário, mas com uma ênfase
maior nas relações de amor e amizade entre os personagens colegas de sala. Isso
é uma das principais coisas que senti falta em Jogos Vorazes e que a Suzanne
Collins poderia ter focado mais. Outra coisa que eu apreciei em Battle Royale
foi que o autor não se esquece de ninguém, todas as mortes são narradas do
começo ao fim.
“Até ontem éramos todos amigos, mas hoje... matamos uns aos
outros.”
Ainda
que o livro seja o maior da minha estante, com 664 páginas, ele não é pesado de
segurar, então o leitor não fica cansado de ficar segurando um livro tão grosso
como esse enquanto lê por bastante tempo. Incrível também como passa tão
rápido, você não percebe o tempo passando enquanto está imerso na leitura, e
ainda lê muitas páginas em pouco tempo.
Tenho
uma mania de leitura que é colocar post-its em frases que eu gosto no livro, e
este foi o livro que eu mais marquei com post-it: dezessete post-its foram
usados nele.
Uma
coisa que eu tive dificuldade de acompanhar no livro foi os nomes dos
personagens, pois são todos japoneses e ainda são 42 nomes para lembrar. Às
vezes eu confundia os personagens que já haviam aparecido e outras vezes os
personagens se chamavam pelo sobrenome, o que me atrapalhava um pouco para
saber quem é quem. Mas a parte boa é que no começo do livro há uma lista de
chamada dos estudantes, então se eu tinha alguma dificuldade em saber quem era
quem, eu olhava nessa lista para saber. Outro ponto que eu gostei de fazer
enquanto lia era anotar os nomes dos que morriam, para eu me atualizar durante
a história. O livro trás também a quantidade de estudantes que restam vivos no
fim de cada capítulo e isto ajuda, e muito, o leitor.
“Não devemos julgar outra pessoa apenas por rumores. Isso é uma
atitude de gente de coração impuro.”
Battle
Royale é muito bom em todos os sentidos. Eu amei ter lido ele e ter passado um
tempo com todos os personagens. O livro passa muitas mensagens reflexivas que,
às vezes, você até para de ler, fecha o livro e fica pensando no que o
personagem disse e no que acabou de acontecer na história.
Battle
Royale tem um filme baseado no livro. O filme não é muito bem feito, não tem
muitos efeitos especiais, porém algumas coisas que acontecem no filme são até
engraçadas, mas o filme é legal, interessante e bem fiel ao livro. O diretor
conseguiu pegar os pontos principais da história e colocar em um filme. Se você
não quiser receber spoilers sobre o livro, aconselho ler primeiro, assistir
depois, vale muito a pena.
No
fim, acho que, Koushun quis passar uma mensagem sobre o como o jovem japonês (e
por que não adolescentes do mundo todo) vivem na sociedade, que eles travam uma
batalha interna contra seus colegas e contra si mesmo todos os dias em busca da
sobrevivência.
E
você? Teria coragem de matar seus colegas de sala? Ficaria escondido até todos
se matarem? Tentaria fazer com que todos fizessem as pazes e fugissem? Deixe um
comentário falando sobre sua experiência com Battle Royale e o que você faria
se estivesse participando desse cruel Programa do governo fascista japonês.
Obrigado
pela sua atenção!
—
Ricardo
10 comentários
Vixe sinceramente não sei qual a minha posição, só se estivesse em um local dessa forma saberia o que fazer. Falar sem estar na situação é mais difícil e fácil de se comprometer dizendo algo que na verdade não faria. Creio que você gostaria de ler a série Gone de Michael Grant. Os livros que li até o momento são ótimos. Só que a amizade não é tão explorada quanto nesse livro. Não li jogos vorazes, mas se é pior que jogos vorazes em relação a mortes, credo! Já assisti o primeiro filme e se for pior que aquilo... mas, gosto de livros assim. Por agora não leria, devido a quantidade enorme de livros que tenho para ler, mas quem sabe no futuro.
ResponderExcluirOi! Sim, eu acho muito difícil estar nessa situação, principalmente observando de fora; eu não saberia o que fazer. Em minha opinião, as mortes são relatadas tão cruelmente pois as vítimas conheciam seus assassinos, diferente de Jogos Vorazes que ninguém conhece ninguém. Eu me interessei pelo livro que você citou, quero lê-lo agora hahaha.
ExcluirEu já tinha vontade de ler esse livro, agora essa vontade aumentou muito. Fico imaginando como eu agiria em uma situação assim.
ResponderExcluirAh, que otimo, fico feliz em saber disso. Siiim, do começo ao fim do livro fico me imaginando o que faria no lugar dos personagens. Obrigado pelo comentario!
ExcluirNão tem como imaginar como agiria nessa situação, pois é algo tão fora da realidade. O pensamento inicial pode até ser não matar ninguém, mas a vontade de sobreviver pode levar as pessoas a cometerem loucuras.
ResponderExcluirEsse livro está na minha meta de leitura para 2016, estou como grandes expectativas e espero que a minha experiencia seja tão boa como a sua.
É, no começo você tem esse pensamento e dá para acompanhar os personagens e como a mente deles evolui durante o Jogo. Obrigado!
ExcluirOlá!!!
ResponderExcluirSua resenha está muito bem escrita e me deixou ainda mais na expectativa para ler o livro.
Feliz 2016.
Carla Fernanda
http://livrosqueliblog.blogspot.com.br/
Muito obrigado pelo comentário! Feliz 2016 cheio de livros!
ExcluirHey!
ResponderExcluirSou fã de distopias,acho super interessante como pode ser criado um mundo onde as ações do ser humano são tão cruas e brutas.Fiquei super interessada em Battle Royale,acho que porque eu vi que a Suzanne tinha se inspirado nele kkk Ainda não li JV,ta na minha estante e logo o lerei e espero que goste.
Battle Royale está na minha lista de desejados e espero me surpreender.. Tenho um livro na minha estante com 944 pags. haha é o meu maior!
Bjos *--*
Sim, esse é o ponto que eu mais gosto nas distopias! Pode apostar que você vai gostar de BR. Esse livro de 944 páginas é do Stephen King? Porque ele tem muitos livros gigantes, eu li It de 1102 páginas e queria ler Under the Dome que é enorme também. Abraços!
ExcluirOlá! Por favor deixe um comentário que iremos adorar conversar.